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Polícia Federal e CGU deflagram operação contra desvio de recursos públicos federais em Russas

Investigações apuram esquema de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo políticos e servidores públicos

Empresários, políticos e servidores públicos estão sendo alvos de 30 mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (5) no Ceará, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. O grupo é suspeito de integrar um esquema de fraude em licitações, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa envolvendo recursos federais no município de Russas. A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) estão à frente das oitivas através da Operação Matrioska. 

Os mandados foram expedidos pela 15ª Vara da Justiça Federal de Limoeiro do Norte para execução nas cidades de Fortaleza, Icapuí, Cascavel e Russas/CE, Caçapava do Sul/RS e Brasília/DF. Cerca de 140 policiais federais e 10 auditores da CGU atuam na operação. Os investigados terão valores ilícitos bloqueados das contas. 

Fraude no Fundeb

Segundo a PF, as investigações tiveram início em 2017, após a Operação Hora do Lanche, deflagrada dois anos antes. A partir da análise de dados fiscais e bancários dos suspeitos, PF e CGU levantaram indícios de atuação de esquema criminoso para fraudar e/ou direcionar licitações em Russas/CE envolvendo recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A fraude ocorria “com o envolvimento de empresas de fachada e empresas que guardavam ligação com empresário suspeito naquele município, o qual, coordenando ações de ‘laranjas’ ou interpostos financeiros, beneficiava-se economicamente desse esquema de corrupção e lavagem de capitais, juntamente com servidores públicos e políticos”, detalhou a PF.

Envolvidos

Sem citar nomes, a PF informou que já foram identificados a atuação de servidores públicos, secretários municipais e políticos de Russas/CE e de outros municípios em esquema de pagamentos de propinas, inclusive através de “laranjas” ou interpostas pessoas. Membros de facções criminosas atuantes em âmbito nacional também podem estar envolvidas no esquema. 

Os indiciados responderão pelos crimes de fraude em licitações, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, com base no Código Penal Brasileiro. 

“O termo Matrioska é alusão às bonecas russas e remete à complexidade da teia criminosa investigada. As investigações continuam, com análise do material apreendido na operação policial”, explicou a PF. 

Diário do Nordeste

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