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Governo vai contratar térmicas para reforçar sistema elétrico

A Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética aprovou a contratação de usinas térmicas para reforçar a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras entre 2022 e 2025. De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), a contratação se dará por “procedimento competitivo simplificado”, conforme previsto na Medida Provisória que criou a câmara de gestão da crise. Essa categoria de contração significa que não devem seguir as regras de leilões de energia do governo.

O MME, porém, ainda não informou como será esse procedimento e nem o volume das contratações. Especialistas do setor temem ainda mais pressão sobre as contas de luz, já que as usinas térmicas tendem a ser mais caras do que fontes renováveis.

“Já estamos pensando no atendimento para 2022”, disse em entrevista ao programa “A Voz do Brasil” o secretário de Energia Elétrica do MME, Christiano Vieira da Silva.“A perspectiva é que teremos ao final de novembro os reservatórios em níveis muito baixos e não podemos contar apenas com chuvas”.

Nesta semana, os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, as principais do setor no País, estavam com 19,59% de sua capacidade de armazenamento de energia. A perspectiva é que terminem setembro em 15,62%.

“Mantém-se o cenário de atenção, com projeção de poucas chuvas em montantes relevantes nos próximos meses”, afirmou o MME, em comunicado sobre a reunião da Creg nesta quinta. A opção pela contratação de mais térmicas foi tomada após avaliação sobre o cenário para os próximos anos.

Para o Luiz Antonio Trotta Miranda, diretor da DCDN, empresa cearense com atuação no Nordeste nos mercados automotivo e energia, já estamos na bandeira 2 faz tempo. “O que temos agora, até abril de 2022 será uma bandeira emergencial, de nome técnico “bandeira tarifária escassez hídrica”, cujo valor será de R$ 14,20. A bandeira vermelha 2 é de R$ 9,49 / 100 kwh. Assim, existem basicamente dois impactos importantes: o risco de necessidade de um racionamento, o que afetar a capacidade produtiva, portanto muitos ficam lentamente esperando uma melhor definição de cenário, e o custo da energia aumentando, pois, com a crise hídrica, o governo está usando termelétricas mais caras, e com isso o custo da energia sobe automaticamente, impactando custos de produção, logísticos e orçamento doméstico”.

Usinas térmicas Atualmente, as usinas térmicas representam cerca de 30% da energia gerada no país. O elevado uso dessa fonte levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a criar uma taxa de escassez hídrica sobre a conta de luz, com a cobrança de R$ 14,20 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. Antes, o consumidor estava pagando R$ 9,49 por 100 kWh, valor equivalente à bandeira vermelha nível dois.

A Aneel justificou a alta dizendo que o valor anterior não conseguia cobrir todos os custos das térmicas acionadas para enfrentar a crise hídrica. Como a energia das novas contratações deverá ser entregue em 2022, terá que vir de usinas já prontas, mas ainda sem contrato. O governo já vem acionando algumas dessas usinas, como a William Arjona, a mais cara do país, com tarifa de R$ 2.443 por MWh (megawatt-hora).

Por isso, o temor do mercado com relação aos impactos na conta de luz provocados pela extensão da contratação de usinas disponíveis para além de 2021. Isso porque a tarifa de energia é um dos principais impulsionadores da escalada inflacionária no país.

O Estado

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